A Península Ibérica, no extremo sudoeste da Europa, registou temperaturas excecionalmente elevadas ao longo do mês passado, ultrapassando os 40 graus Celsius em muitas regiões.
O calor persistente alimentou incêndios florestais, principalmente no norte de Portugal e no oeste e noroeste de Espanha, tendo provocado a morte de quatro pessoas em cada um dos países, obrigando milhares de pessoas a sair das suas casas e devastando vastas áreas de floresta.
As alterações climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, tornaram as condições climáticas propícias a incêndios cerca de 40 vezes mais frequentes e 30% mais intensas, de acordo com os cientistas europeus que trabalharam no estudo do grupo internacional "World Weather Attribution".
"Sem o aquecimento provocado pelo homem, tais condições meteorológicas propícias a incêndios teriam ocorrido apenas uma vez a cada 500 anos, em vez de uma vez a cada 15 anos, como acontece atualmente", disse Theo Keeping, investigador da universidade britânica Imperial College London, aos jornalistas.
Períodos de calor intenso secam rapidamente a vegetação e podem originar incêndios intensos, que "podem gerar o seu próprio vento, levando ao aumento do extensão das chamas, explosões e à ignição de dezenas de incêndios próximos a partir de brasas", acrescentou.
Períodos de calor intenso secam rapidamente a vegetação e podem originar incêndios intensos, que "podem gerar o seu próprio vento, levando ao aumento do extensão das chamas, explosões e à ignição de dezenas de incêndios próximos a partir de brasas", acrescentou.
Em Portugal, mais de 280 mil hectares foram queimados desde o início do ano, de acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, que recolhe estes dados desde 2006.
"Do ponto de vista humano, a maioria destas zonas rurais sofreu um abandono massivo desde a década de 1970, o que permitiu que os combustíveis finos se acumulassem a níveis perigosos, um problema agravado pela gestão florestal inadequada", disse Ricardo Trigo, professor do departamento de geofísica, engenharia geográfica e energia da Universidade de Lisboa.