O Impacto Ambiental da Copa do Mundo FIFA 2026

A Copa do Mundo FIFA 2026 promete ser histórica: a primeira edição com 48 seleções, 104 partidas e sediada em 16 cidades de três países — Estados Unidos, Canadá e México. Milhões de torcedores de todos os continentes viajarão para assistir ao maior evento de futebol do planeta. Porém, esse espetáculo também está sendo chamado de o torneio mais poluente da história dos Mundiais — e não é por acaso.

Estudio Letti
Publicado 19 de Maio
Notícia

Segundo estudos recentes, o torneio pode gerar mais de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), tornando-o o mais climático-danoso já realizado, superando largamente edições anteriores, como o Mundial de 2022 no Catar.

A mudança do formato — de 32 para 48 seleções — e a realização em várias cidades em três países distantes significa que jogadores, equipes técnicas, imprensa e fãs deverão percorrer enormes distâncias, em sua maioria via avião, por falta de alternativas eficientes de transporte de baixa emissão na América do Norte. Os números confirmam isso: estimativas indicam que o transporte aéreo representará cerca de 7,7 milhões de toneladas de CO₂e, quatro vezes mais do que em Copas recentes. Esse salto resulta diretamente da distância geográfica entre sedes e do grande volume de viagens necessárias.

O torneio será disputado em junho e julho, quando muitas cidades-sede enfrentam condições de calor extremo e ondas de calor prolongadas. Isso traz dois efeitos ambientais diretos: Maior consumo de energia para resfriamento de espaços e infraestrutura; Riscos à segurança de jogadores e torcedores devido ao estresse térmico severo. Alguns estádios terão temperaturas acima dos limites seguros sem sistemas de resfriamento, exigindo intensa demanda energética, cujo impacto aumenta ainda mais a emissão dos gases de efeito estufa.

Relatórios independentes destacam que vários estádios enfrentarão condições que ultrapassam os limiares seguros de calor e umidade. Em algumas cidades, as temperaturas podem atingir valores que representam um risco agudo para a saúde humana, exigindo medidas como intervalos extras de hidratação ou adição de ventilação e sombreamento nas arenas.

Outra preocupação crescente é a poluição por fumaça de incêndios florestais, especialmente no Canadá, onde temporadas severas de incêndios já resultaram em níveis de poluentes perigosos para atividades ao ar livre. Até o momento, planos claros de contingência para jogos sob essas condições ainda não foram amplamente divulgados pelos organizadores.

FIFA, Sustentabilidade e Críticas às Medidas Atuais

Seleção de Portugal

A FIFA afirma ter incorporado a agenda climática ao planejamento de seus eventos por meio de uma Estratégia Climática oficial, que estabelece metas de redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 e neutralidade climática até 2040. Na prática, isso envolve compromissos como o incentivo ao uso de energias renováveis em estádios, melhorias na eficiência energética das arenas, gestão mais sustentável de resíduos e a adoção de critérios ambientais na escolha de fornecedores e parceiros.

Essas diretrizes seguem recomendações internacionais de sustentabilidade corporativa e estão alinhadas, ao menos em teoria, aos objetivos do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a 1,5 °C. No entanto, o principal desafio não está na formulação das metas, mas na forma como elas são implementadas e monitoradas, especialmente em eventos de grande escala como a Copa do Mundo de 2026.

Especialistas em clima e organizações independentes apontam que boa parte da estratégia da FIFA depende fortemente da compensação de carbono (carbon offsetting) — um mecanismo no qual as emissões geradas pelo evento não são reduzidas na origem, mas “compensadas” por meio do financiamento de projetos ambientais, como reflorestamento ou geração de energia limpa em outras regiões.

O problema, segundo pesquisadores, é que nem todos os créditos de carbono garantem reduções reais, adicionais e permanentes de emissões. Em muitos casos, os projetos financiados já existiriam independentemente do evento esportivo ou não possuem mecanismos robustos de verificação ao longo do tempo. Isso cria um risco de “neutralidade climática no papel”, sem impacto concreto na redução global de gases de efeito estufa.

Além disso, a FIFA já enfrentou questionamentos formais sobre esse tipo de abordagem. Após a Copa do Mundo de 2022, no Catar, alegações de neutralidade climática foram classificadas como potencialmente enganosas por um órgão regulador suíço, justamente por falta de clareza sobre os cálculos, a metodologia utilizada e a efetividade das compensações anunciadas.

Outro ponto crítico é a ausência de metas vinculantes e auditorias independentes recorrentes, o que dificulta a avaliação pública do progresso real da entidade. Sem dados transparentes, padronizados e comparáveis, torna-se complexo medir se as ações anunciadas de fato reduzem o impacto ambiental ou se funcionam principalmente como estratégias de reputação e marketing institucional.

O Que Pode Ser Feito? Soluções e Boas Práticas

1. Reavaliação do Formato do Torneio
2. Infraestrutura Sustentável
3. Políticas Climáticas Vinculantes
4. Educação e Engajamento dos Torcedores

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